Produção de Blocos de Terra Comprimida (BTC)

Contexto Histórico:

As primeiras experiências de aplicação do bloco de terra comprimido foram efetuadas na Europa no início do século XIX pelo arquiteto François Cointeraux.
Foi utilizado um sistema de módulos em madeira onde o solo húmido era colocado e comprimido com os pés. A primeira máquina, a Cinvaram, construída em ferro, surgiu em 1950, na Colômbia, para dar resposta ao programa de habitação social naquele país da América do Sul. Esta inovação tecnológica veio melhorar as antigas técnicas de construção em terra, nomeadamente o bloco de terra manual seco ao sol, conhecido mundialmente pelo nome adobe. Esta máquina de compressão produzia blocos de forma regular, densos e mais resistentes à agua do que os simples adobes. 
Depois do lançamento desta máquina, muitas outras foram surgido, sendo criados diversos laboratórios especializados na análise de solos que muito contribuíram para a evolução da construção em BTC por todo o mundo. Esta técnica é muito usado especialmente em países da África, América do Sul, Índia e Sul da Ásia. 

Produção:

Na produção de um bloco de terra comprimido o solo, cruo ou estabilizado, deve ser ligeiramente humedecido e colocado numa prensa de ferro, sendo posteriormente comprimido manualmente ou recorrendo à máquina a motor. Atualmente existem máquinas que permitem fazer blocos de diferentes formas e dimensões.
 Os blocos de terra comprimido são geralmente estabilizados com cimento ou cal, mas pode igualmente optar-se pela não inserção de qualquer material de estabilização.
A inovação do solo estabilizado permitiu construções mais elevadas, paredes mais finas, apresentando uma maior resistência à água.
Utilizando o cimento como elemento de estabilização dos blocos, estes devem secar ao sol durante quatro semanas. Após, esta ação os blocos estão prontos a ser utilizados como tijolos normais, usando um reboco e argamassa à base de cimento e solo.

Vantagens do BTC:

1/ É um material local, por isso a produção deve ser efetuada no local a construir, poupando deste modo no transporte, no combustível, tempo e dinheiro.
2/ É um material biodegradável sendo o cimento absorvido pela Natureza num período 10 a 20 anos.  
3/ O BTC, ao não fazer uso da lenha para a sua produção, evita o desmatamento, impedindo a destruição da floresta que nos últimos anos tem sido dizimada devido à falta de visão e má administração dos recursos.  
4/ O BTC é energeticamente eficiente uma vez que requere aproximadamente cinco a 15 vezes menos consumo energético do que um tijolo refratário. A emissão de poluição será 2,4 a 7,8 vezes menor do que a de um tijolo refratário.
5/ Eficiência de custos Produzido no local da obra, com recursos naturais e mão de obra semiqualificada, o BTC implica necessariamente uma redução de custos.

 

6/ Sendo produzido localmente, o BTC é facilmente adaptável às diversas necessidades técnicas, sociais e hábitos culturais.  
7/ É uma tecnologia de fácil aprendizagem, exigindo poucas capacidades técnicas. Comunidades locais são capazes de aprender esta tecnologia em algumas semanas.    
8/ BTC permite facilmente que pessoas não qualificadas aprendam uma atividade que não exige grandes conhecimentos técnicos.  
9/ O equipamento para a produção do BTC está disponível a partir de maquinas manuais até maquinas motorizadas que permitindo a adaptação destas à escala de produção rural ou à semindustrial.   
10/ O BTC, como está comprovado ao longo dos anos, adapta-se às diversas necessidades e a todo o tipo de bolsas. A sua qualidade, regularidade e estilo permite uma diversidade de acabamentos.  

Adequação do solo e estabilização para o BTC

Nem todo o solo é adequado para à construção do BTC, mas com algum conhecimento e experiência podem produzir-se diversos solos para BTC. As camadas superiores de solo e os solos orgânicos não devem ser utilizados para a produção do BTC. Identificar as propriedades do solo é essencial para realizar produtos de boa qualidade. Algumas análises simples e sensitivas podem ser realizadas após um curto treino. O cimento é usado preferencialmente para os solos arenosos, permitindo atingir rapidamente uma maior resistência ao bloco. A cal adequa-se mais facilmente a solos argilosos levando, todavia, mais tempo para endurecer. A proporção média de estabilizador é bastante baixa.

Limitações do BTC

1/ É exigida a identificação adequada do solo.
2/ Desconhecimento da necessidade de gerir os recursos.  
3/ A Inviabilidade de construção de grandes vãos. 
4/ Baixos desempenhos técnicos comparado com o betão. 
5/ Equipas mal treinadas produzem blocos de baixa qualidade. 
6/ A sobrestabilização do solo por receio ou ignorância, implica custos suplementares. 
7/ A subestabilização do solo resulta em baixa qualidade do produto.